Exemplo
Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Espírito ___ Plataforma MOODLE
segunda-feira, 19 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
A EMERGÊNCIA DO CYBERSPACE E AS MUTAÇÕES CULTURAIS*
A EMERGÊNCIA DO CYBERSPACE E AS MUTAÇÕES CULTURAIS*
Pierre Lévy
O que seria o espaço cibernético? O espaço cibernético é um terreno onde está funcionando a humanidade, hoje. É um novo espaço de interação humana que já tem uma importância enorme sobretudo no plano econômico e científico e, certamente, essa importância vai ampliar-se e vai estender-se a vários outros campos, como por exemplo na Pedagogia, Estética, Arte e Política. O espaço cibernético é a instauração de uma rede de todas as memórias informatizadas e de todos os computadores. Atualmente, temos cada vez mais conservados, sob forma numérica e registrados na memória do computador, textos, imagens e músicas produzidos por computador. Então, a esfera da comunicação e da informação está se transformando numa esfera informatizada. O interesse é pensar qual o significado cultural disso. Com o espaço cibernético temos uma ferramenta de comunicação muito diferente da mídia clássica, porque é nesse espaço que todas as mensagens se tornam interativas, ganham uma plasticidade e têm uma possibilidade de metamorfose imediata. E aí, a partir do momento que se tem o acesso a isso, cada pessoa pode se tornar uma emissora, o que obviamente não é o caso de uma mídia como a imprensa ou a televisão. Então, daria para a gente fazer uma tipologia rápida dos dispositivos de comunicação onde há um tipo em que não há interatividade porque tem um centro emissor e uma multiplicidade de receptores. Esse primeiro dispositivo chama-se Um e Todo.
Uma outra versão é o tipo Um e Um, que não tem uma emergência do coletivo da comunicação, como é o caso do telefone. O espaço cibernético introduz o terceiro tipo, com um novo tipo de interação que a gente poderia chamar de Todos e Todos, que é a emergência de uma inteligência coletiva. Do interior do espaço cibernético encontramos uma variedade de ferramentas, de dispositivos, de tecnologias intelectuais. Por exemplo, um aspecto que se desenvolve cada vez mais, nesse momento, é a inteligência artificial. Há também os hipertextos, os multimídia interativos, simulações, mundos virtuais, dispositivos de tele-presença. É preciso não esquecer, por outro lado, que a própria mídia hoje está numa hibridação com o espaço cibernético, onde ela se vê obrigada a se abrir para isto... Mas, o que há de comum entre todas essas tecnologias, entre todas essas formas de mensagens? O que implica uma mensagem numerada e os outros tipos de mensagens? Uma mensagem numeralizada se caracteriza pelo fato de que se pode controlar essa estrutura de perto e de maneira muito fina. Então, os bits da informática são como gens na genética, isto é, a microestrutura. Fazem parte de um conjunto de tecnologia e vão em direção a um controle molecular de seu objeto, o que dá uma fluidez a todas essas mensagens e lhes dá também a possibilidade de uma circulação muito rápida. O que há em comum em todas as bases nos bancos de dados do espaço cibernético? Não são as mensagens fixas, mas um potencial de mensagens e que, dependendo de quem vai utilizá-los, vai para uma direção ou outra. O que acontece é que, com isso, se recupera a possibilidade de ligação com um contexto que tinha desaparecido com a escrita e com todos os suportes estáticos de formação. É possível através disso reencontrar uma comunicação viva da oralidade, só que, evidentemente, de uma maneira infinitamente mais ampliada e complexificada. Por exemplo, é isto que observamos com o que acontece, hoje, com o hipertexto ou multimídia interativa. O importante é que a informação esteja sob forma de rede e não tanto a mensagem porque esta já existia numa enciclopédia ou dicionário.
Portanto, a verdadeira mutação se passa noutros aspectos. Em primeiro lugar, não é mais o leitor que vai se deslocar diante do texto, mas é o texto que, como um caleidoscópio, vai se dobrar e se desdobrar diferentemente diante de cada leitor. O segundo ponto é que tanto a escrita como a leitura vão mudar o seu papel, porque o próprio leitor vai participar da mensagem na medida em que ele não vai estar apenas ligado a um aspecto. O leitor passa a participar da própria redação do texto à medida que ele não está mais na posição passiva diante de um texto estático, uma vez que ele tem diante de si não uma mensagem estática, mas um potencial de mensagem. Então, o espaço cibernético introduz a idéia de que toda leitura é uma escrita em potencial. O terceiro ponto que, sem dúvida, é o mais importante, é que estamos assistindo uma desterritorialização dos textos, das mensagens, enfim, de tudo o que é documento: tanto o texto como mensagem se tornam uma matéria.
Pierre Lévy
O que seria o espaço cibernético? O espaço cibernético é um terreno onde está funcionando a humanidade, hoje. É um novo espaço de interação humana que já tem uma importância enorme sobretudo no plano econômico e científico e, certamente, essa importância vai ampliar-se e vai estender-se a vários outros campos, como por exemplo na Pedagogia, Estética, Arte e Política. O espaço cibernético é a instauração de uma rede de todas as memórias informatizadas e de todos os computadores. Atualmente, temos cada vez mais conservados, sob forma numérica e registrados na memória do computador, textos, imagens e músicas produzidos por computador. Então, a esfera da comunicação e da informação está se transformando numa esfera informatizada. O interesse é pensar qual o significado cultural disso. Com o espaço cibernético temos uma ferramenta de comunicação muito diferente da mídia clássica, porque é nesse espaço que todas as mensagens se tornam interativas, ganham uma plasticidade e têm uma possibilidade de metamorfose imediata. E aí, a partir do momento que se tem o acesso a isso, cada pessoa pode se tornar uma emissora, o que obviamente não é o caso de uma mídia como a imprensa ou a televisão. Então, daria para a gente fazer uma tipologia rápida dos dispositivos de comunicação onde há um tipo em que não há interatividade porque tem um centro emissor e uma multiplicidade de receptores. Esse primeiro dispositivo chama-se Um e Todo.
Uma outra versão é o tipo Um e Um, que não tem uma emergência do coletivo da comunicação, como é o caso do telefone. O espaço cibernético introduz o terceiro tipo, com um novo tipo de interação que a gente poderia chamar de Todos e Todos, que é a emergência de uma inteligência coletiva. Do interior do espaço cibernético encontramos uma variedade de ferramentas, de dispositivos, de tecnologias intelectuais. Por exemplo, um aspecto que se desenvolve cada vez mais, nesse momento, é a inteligência artificial. Há também os hipertextos, os multimídia interativos, simulações, mundos virtuais, dispositivos de tele-presença. É preciso não esquecer, por outro lado, que a própria mídia hoje está numa hibridação com o espaço cibernético, onde ela se vê obrigada a se abrir para isto... Mas, o que há de comum entre todas essas tecnologias, entre todas essas formas de mensagens? O que implica uma mensagem numerada e os outros tipos de mensagens? Uma mensagem numeralizada se caracteriza pelo fato de que se pode controlar essa estrutura de perto e de maneira muito fina. Então, os bits da informática são como gens na genética, isto é, a microestrutura. Fazem parte de um conjunto de tecnologia e vão em direção a um controle molecular de seu objeto, o que dá uma fluidez a todas essas mensagens e lhes dá também a possibilidade de uma circulação muito rápida. O que há em comum em todas as bases nos bancos de dados do espaço cibernético? Não são as mensagens fixas, mas um potencial de mensagens e que, dependendo de quem vai utilizá-los, vai para uma direção ou outra. O que acontece é que, com isso, se recupera a possibilidade de ligação com um contexto que tinha desaparecido com a escrita e com todos os suportes estáticos de formação. É possível através disso reencontrar uma comunicação viva da oralidade, só que, evidentemente, de uma maneira infinitamente mais ampliada e complexificada. Por exemplo, é isto que observamos com o que acontece, hoje, com o hipertexto ou multimídia interativa. O importante é que a informação esteja sob forma de rede e não tanto a mensagem porque esta já existia numa enciclopédia ou dicionário.
Portanto, a verdadeira mutação se passa noutros aspectos. Em primeiro lugar, não é mais o leitor que vai se deslocar diante do texto, mas é o texto que, como um caleidoscópio, vai se dobrar e se desdobrar diferentemente diante de cada leitor. O segundo ponto é que tanto a escrita como a leitura vão mudar o seu papel, porque o próprio leitor vai participar da mensagem na medida em que ele não vai estar apenas ligado a um aspecto. O leitor passa a participar da própria redação do texto à medida que ele não está mais na posição passiva diante de um texto estático, uma vez que ele tem diante de si não uma mensagem estática, mas um potencial de mensagem. Então, o espaço cibernético introduz a idéia de que toda leitura é uma escrita em potencial. O terceiro ponto que, sem dúvida, é o mais importante, é que estamos assistindo uma desterritorialização dos textos, das mensagens, enfim, de tudo o que é documento: tanto o texto como mensagem se tornam uma matéria.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Cibercultura_Pierre LÉVY.
Cibercultura é a obra central de Pierre Lévy. Fruto de um relatório encomendado pelo Conselho Europeu, aborda as implicações culturais do desenvolvimento das tecnologias digitais de informação e comunicação.
Para Lévy, a essência da cibercultura é paradoxal, na medida em que a Internet é uma universalidade desprovida de um significado central, um verdadeiro sistema caótico global, o "universal sem totalidade". Nesse sentido, o autor nos remete à idéia de "segundo dilúvio", originalmente concebida por Roy Ascott, que consiste em um paralelo entre a atual explosão de informações, possível graças ao enorme desenvolvimento das telecomunicações (incluindo a Internet), e o dilúvio bíblico. Perante a Internet, como Noé, nos sentimos à deriva em um mar informacional,
sem saber que informações essenciais deveríamos salvar em nossa arca. No entanto, esse segundo dilúvio nunca cessará, como o primeiro. A arca jamais pousará
no Monte Ararat; não há fundo sólido sob o oceano das informações...
A primeira parte do livro consiste em uma série de definições de conceitos básicos, ferramentas e funções da Internet, tais como interatividade, ciberespaço, correio eletrônico (e-mail), conferência eletrônica, transferência de arquivos, virtualização
de informação, comunidades virtuais, entre outros.
Na segunda parte, o autor aborda as novas formas artísticas da cibercultura (como a ciberarte e a música techno), a nova relação com o saber, as mutações da educação, a economia do saber e a democracia eletrônica possíveis com o advento da Internet.
Sobre a nova relação com o saber, são interessantes os apontamentos que Lévy faz sobre os novos paradigmas da atualidade ¾ competências profissionais que se tornam obsoletas ao longo do tempo, a nova natureza do trabalho que valoriza
a transação dos conhecimentos (aprender, transmitir, produzir), novas formas de acesso à informação e novos estilos de raciocínio e conhecimento. Para ele, tais paradigmas nos mostram a necessidade de duas reformas fundamentais nos sistemas de educação e formação: a utilização da EAD (Educação a Distância) e o reconhecimento das novas formas de aprendizagem através das experiências social
e profissional e não mais somente através das formas tradicionais escolares
e acadêmicas.
Lévy finaliza o livro discutindo os questionamentos e críticas que sua teoria poderia gerar, como a crítica da substituição, que afirma que o virtual suplantará o real,
a manutenção da diversidade das línguas e das culturas e os problemas de exclusão e desigualdade social frente às novas tecnologias.
Ao final, há um interessante glossário de termos técnicos e específicos relacionados à cibercultura, elaborado pelo tradutor da obra, Carlos Irineu da Costa
Para Lévy, a essência da cibercultura é paradoxal, na medida em que a Internet é uma universalidade desprovida de um significado central, um verdadeiro sistema caótico global, o "universal sem totalidade". Nesse sentido, o autor nos remete à idéia de "segundo dilúvio", originalmente concebida por Roy Ascott, que consiste em um paralelo entre a atual explosão de informações, possível graças ao enorme desenvolvimento das telecomunicações (incluindo a Internet), e o dilúvio bíblico. Perante a Internet, como Noé, nos sentimos à deriva em um mar informacional,
sem saber que informações essenciais deveríamos salvar em nossa arca. No entanto, esse segundo dilúvio nunca cessará, como o primeiro. A arca jamais pousará
no Monte Ararat; não há fundo sólido sob o oceano das informações...
A primeira parte do livro consiste em uma série de definições de conceitos básicos, ferramentas e funções da Internet, tais como interatividade, ciberespaço, correio eletrônico (e-mail), conferência eletrônica, transferência de arquivos, virtualização
de informação, comunidades virtuais, entre outros.
Na segunda parte, o autor aborda as novas formas artísticas da cibercultura (como a ciberarte e a música techno), a nova relação com o saber, as mutações da educação, a economia do saber e a democracia eletrônica possíveis com o advento da Internet.
Sobre a nova relação com o saber, são interessantes os apontamentos que Lévy faz sobre os novos paradigmas da atualidade ¾ competências profissionais que se tornam obsoletas ao longo do tempo, a nova natureza do trabalho que valoriza
a transação dos conhecimentos (aprender, transmitir, produzir), novas formas de acesso à informação e novos estilos de raciocínio e conhecimento. Para ele, tais paradigmas nos mostram a necessidade de duas reformas fundamentais nos sistemas de educação e formação: a utilização da EAD (Educação a Distância) e o reconhecimento das novas formas de aprendizagem através das experiências social
e profissional e não mais somente através das formas tradicionais escolares
e acadêmicas.
Lévy finaliza o livro discutindo os questionamentos e críticas que sua teoria poderia gerar, como a crítica da substituição, que afirma que o virtual suplantará o real,
a manutenção da diversidade das línguas e das culturas e os problemas de exclusão e desigualdade social frente às novas tecnologias.
Ao final, há um interessante glossário de termos técnicos e específicos relacionados à cibercultura, elaborado pelo tradutor da obra, Carlos Irineu da Costa
sábado, 3 de julho de 2010
PORTAL DOMÍNIO PÚBLICO
CARACTERÍSTICAS:
O Portal Domínio Público é uma biblioteca pública digital, desenvolvida em software livre. Nela são disponibilizadas pesquisas básicas, selecionadas por conteúdo, teses e dissertações e autores. Há também um link para acesso a CAPES (periódicos, resumos, estatísticas, etc). O portal foi lançado em novembro de 2004.
OBJETIVOS:
Compartilhar conhecimentos com usuários da Internet.
Promover o acesso a obras literárias, artísticas e científicas, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.
Contribuir para o desenvolvimento da educação e da cultura, aprimorando a construção da consciência social, da cidadania e da democracia no Brasil.
COMO EXPLORAR?
O portal é um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos. As informações são disponibilizadas livremente, de forma gratuita, aos usuários da rede.
CARACTERÍSTICAS:
O Portal Domínio Público é uma biblioteca pública digital, desenvolvida em software livre. Nela são disponibilizadas pesquisas básicas, selecionadas por conteúdo, teses e dissertações e autores. Há também um link para acesso a CAPES (periódicos, resumos, estatísticas, etc). O portal foi lançado em novembro de 2004.
OBJETIVOS:
Compartilhar conhecimentos com usuários da Internet.
Promover o acesso a obras literárias, artísticas e científicas, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.
Contribuir para o desenvolvimento da educação e da cultura, aprimorando a construção da consciência social, da cidadania e da democracia no Brasil.
COMO EXPLORAR?
O portal é um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos. As informações são disponibilizadas livremente, de forma gratuita, aos usuários da rede.
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